O que é beleza? Por que certos padrões se consolidam (E o papel da representatividade nisso tudo)

A sul-africana Zozibini Tunzi, vencedora da edição 2019 do Miss Universo.
Foto: Zonzibini Tunzi/Instagram

Grandes filósofos já discorreram sobre o que seria belo e como a nossa percepção da estética se molda. Platão acreditava que a beleza nascia da noção de perfeição, independente do julgamento humano. Já Aristóteles, por exemplo, relacionava beleza a critérios mais “mundanos”, de ordem, simetria e proporção. Kant foi além e entendeu que a percepção de beleza era gerada a partir do sentimento de prazer gerado, ou seja, sua concepção era muito mais subjetiva e individual.

Há ainda a teoria da Proporção Áurea,  uma  constante  real  algébrica  irracional observada em diversos campos – da arquitetura a formas da natureza e até mesmo no corpo humano – que reforça a padronização do conceito de perfeição e, consequentemente, beleza.  Na arte e na arquitetura, por exemplo, a proporção áurea foi muito usada: a construção do Parthenon, na Grécia Antiga; a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci; e a 5ª Sinfonia de Beethoven trariam a proporção áurea!

Refletir sobre o que é padrão de beleza nos dias de hoje se faz essencial para evoluirmos a forma de pensar e adequá-la aos novos tempos. Por isso, o discurso da sul-africana Zozibini Tunzi, ao ganhar o título de Miss Universo 2019, é tão poderoso: “Eu cresci em um mundo onde uma mulher com a minha pele, a minha aparência e o meu cabelo não era considerada bonita. Isso acaba hoje! Quero que as crianças enxerguem o reflexo dos seus rostos no meu”.

É isso! O conceito de beleza – e, portanto, do que é padrão estético –  precisa ser relativizado. Se por um lado sabemos que as linhas, formas e cores carregam símbolos e mensagens que nosso cérebro interpreta de forma subliminar, também não podemos desprezar as experiências individuais e culturais que vivenciamos nos dias de hoje e que também cumprem seu papel no entendimento do que é belo.

A neurosciência vem, nesse sentido, tentando demonstrar que a noção de beleza estética é uma soma de respostas sensoriais e emocionais desencadeadas pelas redes cerebrais. Por isso, ampliar a representatividade e a diversidade de belezas é a chave para a desconstrução dos padrões que já não conversam mais com a sociedade de hoje. Enxergar o belo (algo único e incomparável) além da beleza comum é exercício que precisa ser feito e repetido à exaustão – mas um caminho sem volta (eu espero). 

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