3 lições que o Masterchef Profissionais nos traz sobre Reputação

* Artigo originalmente publicado no LinkedIn em 14 de Dezembro de 2016

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Terminou ontem a primeira edição do Masterchef Profissionais, programa apresentado pela jornalista

Ana Paula Padrão, cuja fórmula – competição entre cozinheiros, aspirantes ou

profissionais – sempre mobiliza torcidas apaixonadas por um ou mais participantes. Mas nessa edição, especialmente, foi latente o papel da reputação de cada participante – todos cozinheiros profissionais – no resultado final do programa. A chef Dayse, rotulada logo no início da competição como a competidora mais “fraca”, deixou para trás concorrentes mais experientes, criativos e, possivelmente, de maior qualidade técnica, abocanhando o prêmio final. Mas afinal, como isso aconteceu?

Ainda que os jurados – os chefs Paola, Fogaça e Jacquin – tenham exaltado em todos os episódios de que o que conta, no final da avaliação, é o sabor da comida apresentada, é impossível ignorar que a postura, os comentários e até mesmo as expressões corporais impactam a forma como os avaliadores leem as capacidades de cada participante, indo muito além da qualidade técnica de cada prato. Analisar personagens de filmes e programas de TV sob a perspectiva da construção de reputação é um exercício muito interessante para despertar a consciência de como a imagem individual é concebida e o efeito prático disso na vida pessoal e profissional. Por isso, vale analisar algumas situações do Masterchef, que traz “personagens reais”, para tirar lições sobre Reputação e Imagem Pessoal que podem ser bastante válidas no ambiente profissional:

  1. Observar é ouro. Num contexto onde todos tem voz e liberdade para “opinar”, as vezes vale mais “ler o cenário” primeiro, e então entender qual é o seu papel naquele núcleo. No caso da vencedora do Masterchef, o excesso de comentários dos demais concorrentes de que ela seria uma cozinheira com “pouca técnica” e “muito clássica/conservadora”, deu a ela informações preciosas sobre suas vulnerabilidades na competição e, com uma certa dose de foco e estratégia, ela soube trabalhar sua imagem pessoal, tendo bastante clareza de qual público ela realmente precisava conquistar ali: os jurados. Direcionando seus esforços para transformar uma característica técnica em sua principal força (a gastronomia clássica, afinal, ainda é muito apreciada), qualquer pitada de inovação em suas criações acabava surpreendendo e, portanto, sendo valorizada pelos jurados.
  2. Contra fatos, não há argumentos. Dayse teve o maior número de vitórias em provas individuais durante a competição. Da mesma forma, figurou pouquíssimas vezes nas provas de eliminação. Isso é um fato. Insistir no discurso de fraqueza e falta de qualidade técnica da profissional concorrente, já no final da competição, quando os resultados apresentados por ela já tinham se provado eficientes, foi um erro fatal para alguns participantes, que acabaram transformando seus atributos de autoconfiança em arrogância – o que era percebido de forma positiva passou a ser encarado com uma falha. Já para Dayse, a entrega de resultados concretos nas provas foi crucial para concluir sua participação no programa com uma boa reputação.
  3. O seu discurso muda o equilíbrio da balança. Ainda que se fale em processo justo de avaliação, pautado por critérios claros que se apliquem a todos, a verdade é que o ser humano naturalmente espera mais daqueles que, teoricamente, são os melhores no que fazem. No Masterchef, a repetição do discurso desfavorável à Dayse deflagrou um processo de reversão de percepção de imagem. A Dayse, que era até então considerada uma candidata “fraca”, com um pouco de esforço passou a surpreender os jurados, de forma positiva. Na outra via, os favoritos da competição, que tiveram suas experiências e habilidades técnicas altamente destacadas logo no início da competição, passaram a ser cada vez mais exigidos pelos jurados. Foi o caso de Ivo, chef mais experiente entre os participantes e um dos favoritos ao prêmio, que perdeu sua chance já na semifinal por não “entregar algo alinhado ao seu nível profissional altamente qualificado”, segundo os chefs Jacquin, Fogaça e Paola. Ainda que não haja problema algum em valorizar as próprias qualidades, feitos e experiências anteriores, saiba que tudo o que você diz sobre você mesmo o coloca em um determinado patamar de expectativa. Esteja preparado para honrá-lo. Por outro lado, subestimar publicamente alguém, como forma de se sobressair, pode ter o efeito contrário e acabar atingindo a sua reputação, e não a do outro.

Enfim, o Masterchef é uma competição de alta exposição para quem participa. Já na “vida real”, nem sempre compreendemos o impacto da reputação pessoal nas nossas conquistas ou fracassos. O fato é que todos nós temos pontos fracos e fortes, que são percebidos no meio em que atuamos, conforme o contexto. Ter consciência do que nos favorece ou não em determinado ambiente e definir uma estratégia clara e coerente de posicionamento pessoal, 100% alinhada às suas atitudes e ações práticas, são fatores-chave para a gestão de carreira de qualquer profissional. Alinhar discurso e ação será sempre um bom começo.